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Contrariando a onda conservadora que vem tomando conta da teledramaturgia – como o sucesso de “Os Dez Mandamentos” e a guinada global de fazer as tramas caipiras e interioranas “Êta Mundo Bom” e “Velho Chico” para um público que se diz “cansado de violência, favela e gay nas novelas” – “Totalmente Demais” marcou um golaço nos últimos dias, levantando a discussão sobre violência a homossexuais.

Sem alarde, a novela das 19h mostrou no último sábado (20) a agressão que Max (Pablo Sanábio) sofreu ao ir para casa com outro homem, que conheceu em uma festa. “Vocês boiolas tem de aprender uma lição”, respondem, jogando-o no chão e dando-lhe vários chutes.

Eles vêm conversando, sem beijos nem carícias, mas o rapaz reluta em andar de mãos dadas ao passarem por um grupo de homens. “Esses idiotas vão ter que me respeitar, eles vão ouvir. “Bicha, vira homem de verdade”, gritam, enquanto Max pede socorro.

“Relaxa, a gente está no século 21, não é possível que alguém se incomode com isso”, diz o booker para o pretendente. “Essa raça tem tudo que ir pro inferno mesmo, sabia? Só param quando Rafael (Daniel Rocha) intervém e um vizinho diz ter chamado a polícia.

Ao ver o casal andando na rua, o grupo começa a agredí-los, primeiro jogando uma pedra. A câmera por trás do casal no momento seguinte à pedra jogada registra bem o temor/pânico que os casais homossexuais sofrem nesse tipo de situação, e como tudo acontece tão rápido.

Rafael o tira do chão, com o rosto machucado, e o leva para casa, cuidando de seus ferimentos e dizendo que precisam ir à delegacia.

Chorando, ele dá um grito e sua reação é natural para muitos que perderam a sensação de segurança de andar na rua apenas por conta de sua sexualidade.

“Isso não vai dar em nada mesmo, eu só quero esquecer. Em um 2016 no qual os homossexuais da TV – costumeiramente presentes nas novelas nos últimos anos, ajudando a quebrar preconceitos e levantar as discussões em família – foram trancados de novo no armário, “Totalmente Demais” destoa e mostra, assim como “Tititi” em 2010, que o tema pode ser discutido com profundidade fora do horário das 21h, sim.

Eu me enganei, achei que o mundo todo era seguro para pessoas que nem eu (…) Mas com o que aconteceu hoje eu lembrei que tem muita intolerância, muito preconceito, muito ódio. Por que não posso andar de mãos dadas como todo mundo? Parabéns aos autores Rosane Svartman e Paulo Halm por, em uma trama leve e com boa audiência, abordar a questão, e aos atores pela cena.

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